Luis Filipe Borges

"Dia 12 de Março fui à minha primeira manif. Falhei por pouco a partida da comitiva do PAN desde o edifício do Diário de Notícias mas passei boa parte da marcha nesse dia histórico a pensar na conversa tida em directo, no dia anterior, com Paulo Borges – meu convidado no 5 para a Meia-Noite.

Já estava inclinado a aderir ao PAN e fiquei plenamente convencido. Tenho vergonha de ser cidadão de um país onde não vejo o fruto dos meus impostos, onde os licenciados não encontram vaga profissional, onde os recibos verdes servem o capitalismo desenfreado, onde dois terços dos cidadãos – a avaliar pela abstenção – não se revêem na sua classe política, onde nesta abundam verdadeiros profissionais da dita (sem outros méritos que os reconheçam na sociedade civil), onde os poucos partidos com preocupações ecológicas estão manietados pela ideologia ou pela conveniência, onde os seus governantes são regularmente protagonistas pela negativa de manchetes escandalosas, onde o Código Civil trata os animais ao mesmo nível de objectos inanimados, e onde – até ao passado dia 12 – uma anestesia geral parecia mesmo ter tomado conta de um povo inteiro.

Mas, por outro lado, sinto orgulho em esforços recentes como os do Dr. Fernando Nobre nas Presidenciais, os dos cidadãos independentes e livres que - via redes sociais - convocaram uma das maiores e mais simbólicas demonstrações de indignação na história da nossa democracia, e no percurso já tão honrado de um partido recente, desprovido de cartilhas ideológicas e o primeiro a considerar o todo: homens, animais e natureza - pois se vivemos no mesmo mundo como não poderiam as causas ser comuns?

É por estas e muitas outras que quero estar presente no primeiro congresso do partido e dar a cara pelo PAN, com o mesmo orgulho e honra de todos aqueles, cada vez mais, que voltaram a acreditar na beleza e potencial absolutos da palavra ‘utopia’."

Luis Filipe Borges