O futuro da mobilidade urbana

O modelo de urbanização importado no último século dos Estados Unidos – no qual um grande centro é rodeado por outras pequenas cidades, com um custo de habitação mais reduzido onde as pessoas podem residir – tem grandes impactos na mobilidade de pessoas e veículos.

Estamos todos familiarizados com a enorme quantidade de trafego a circular dentro dos grandes centros urbanos e também com os famosos e aparentemente inevitáveis engarrafamentos nas entradas e saídas. Esta rotina aumenta os níveis de stress bem como as doenças a ele associadas, e rouba tantas horas de vida a tantos portugueses, que acaba por corresponder a vários dias num ano.

Acresce a tudo isto que o parque automóvel é na sua maioria movido a combustíveis fosseis, que emitem partículas nocivas para a saúde humana e gases que contribuem para as alterações climáticas. O impacto deste enorme trafego automóvel e do combustível desperdiçado no pára-arranca na poluição das nossas cidades e nas carteiras dos portugueses é enorme.

É, portanto, fundamental mitigar este problema e criar um ambiente urbano sustentável e funcional para quem tem de se deslocar até e dentro dos centros urbanos. Claramente existe a necessidade de reduzir drasticamente o número de veículos a circular nas cidades. Mas há também que refletir: o que leva tantas pessoas a continuarem a usar o automóvel e sujeitarem-se a filas intermináveis diariamente? Será que não tem alternativas?

Para quem precisa de se deslocar diariamente aos centros urbanos o transporte público deve ou deveria ser sempre a primeira escolha. O transporte público coletivo elétrico é a forma mais sustentável de deslocar o maior número de pessoas. Se não é usado, então há que adequar a oferta às necessidades da população.

Dentro da cidade há que continuar a promover as condições para que a chamada mobilidade suave ganhe cada vez mais adeptos. Andar a pé ou de bicicleta faz bem à saúde e não congestiona a circulação. A implementação de redes de bicicletas partilhadas e a criação de zonas de circulação partilhada entre pessoas e veículos são medidas importantes nesse sentido. Circular em motos elétricas é também uma forma alternativa de deslocação rápida e não poluente. No próximo ano, por iniciativa do PAN, a aquisição destes veículos será custeada em 10% pelo Estado.

O automóvel continuará a ser necessário para o transporte de pessoas e mercadorias na cidade, mas a aposta terá de ser na utilização de veículos não poluentes e no chamado carsharing. A grande maioria dos automóveis passam a maior parte do dia estacionados, portanto para muitas pessoas era muito mais vantajoso prescindir do carro próprio e usar um carro partilhado.

Estamos em 2017 e os desenvolvimentos tecnológicos na área do transporte automóvel têm sido enormes. Em poucos anos o veículo elétrico passou de sonho a realidade e é hoje uma alternativa sólida aos veículos a combustão como milhares de portugueses já podem comprovar. O Estado português, também com estímulo do PAN, tem últimos anos contribuído para este desenvolvimento substituindo a sua frota, promovendo a instalação de postos de carregamento por todo o país e dando incentivos à sua aquisição.

Os novos automóveis vêm já equipados com um conjunto de tecnologias como câmaras e sensores que permitem evitar muitos acidentes e atropelamentos, pois são capazes de captar e processar informação e reagir de uma forma que não está ao alcance dos humanos.

Num futuro próximo, os veículos serão capazes de assumir completamente a tarefa de condução. Será sem dúvida uma realidade que deixará muitos incrédulos, mas com estes veículos – seja em forma de carsharing ou de transporte público – conseguiremos certamente reduzir a sinistralidade e otimizar a circulação de trafego automóvel. O futuro é promissor e depende de cada um de nós fazer com que ele seja realidade.

1 de dezembro de 2017

Helder Capelo, membro da Comissão Política Nacional