Valores da Cidadania

14 de janeiro de 2018

Nas conversas diárias que mantenho com inúmeras pessoas, nos comentários ouvidos ao acaso ocorridos no café, nas reações a notícias dos meios de comunicação social, constato que há inúmeras referências sobre o poder político e os políticos. Frequentemente esses comentários não são nada positivos (utilizando-se profusamente o calão!), associando o poder político a interesses económicos, à corrupção, a interesses pessoais, a oportunismo, a incompetência, etc.

Não sendo obviamente impossível tudo isso (inúmeras notícias o afirmam em Portugal e no estrangeiro), é pois um erro sistemático por parte dos cidadãos extrapolar algumas situações e” julgar” o todo pelos “alegados” casos particulares.

Apesar dos cidadãos gostarem de comentar os acontecimentos políticos e apresentarem as suas “propostas” pessoais, quando convocados a participar no ato eleitoral, infelizmente muitos o recusam fazer. Uns por não se reverem nos políticos atuais, outros por puro egoísmo. O mesmo se verifica quando convidados a participar em alguma atividade, ou meramente integrar uma lista para umas eleições legislativas, apresentam uma intensa “alergia” e reação negativa, que me deixam surpreso! Ou seja, recusam-se quase em “modo automático” a utilizarem-se de um direito que possuem, a prática da cidadania.

Do lado oposto encontram-se aqueles que pelo seu dinamismo, fundamentalismo ativista, participam na sociedade, impondo, por atos de vandalismo, violência, insultos, etc, as suas ideias e propostas de mudança na sociedade. Tal não significa que muitas delas não sejam interessantes, mas a forma de o fazer evidenciam os valores em que inconscientemente acreditam.

Quando, há quase 7 anos, e “cansado” de ver o país num rumo no qual não me revejo e sabendo que nada valiam as minhas críticas ou propostas “caseiras”, filiei-me pela primeira vez num partido, o PAN. Fi-lo pelos valores e princípios patentes nos seus estatutos. Afinal, à medida que os lia estava a rever-me em todos eles. Dada tal similitude e perante tal surpresa, a decisão foi imediata, tenho que estar aqui! No PAN! Mas um dos princípios, o “principio da não-violência” patente no artigo 2º do estatutos, foi o grande impulsionador para tal, e que passo a citar:

“O PAN rege-se pelo princípio da não-violência – mental, verbal e física – e lutará firmemente pelos seus princípios e objetivos contra ideias e práticas, nunca contra pessoas”.

Com este princípio e desafio, como pano de fundo, estava criado o ambiente para participar e contribuir na construção de um mundo mais Ético.

A definição de “política” segundo um político Brasileiro (não dos recentes) é a “ciência de fazer o bem.” Hoje, presumo que podemos atualizar esta frase do seguinte modo “ É a ciência de fazer o bem a todos os Seres”.

Nesse sentido, presumo ter o consenso do leitor e assim o convidar, a uma prática de cidadania (política) assente nos valores da democracia, da igualdade, da justiça social, da solidariedade, da tolerância, do bem-estar de todos os Seres (humanos e não humanos), etc.

Saia da sua zona de conforto ou alargue-a e contribua ativamente na implementação de valores superiores na construção de uma maior consciência social e global. Contamos consigo, pois juntos vamos mais longe.

“A educação para a cidadania constitui um conjunto complexo que abraça, ao mesmo tempo, a adesão a valores, a aquisição de conhecimentos e a aprendizagem de práticas na vida pública. Não pode, pois ser considerada como neutra do ponto de vista ideológico” (Delor).

14 de janeiro de 2018

José Castro, membro da Comissão Política Nacional