PAN quer ouvir com urgência Ministro da Cultura sobre os touros de morte em Monsaraz

02 de Outubro de 2018

O PAN quer ouvir o Ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, no parlamento, com caráter de urgência, sobre a morte violenta de um touro na arena do Castelo de Monsaraz a 8 de setembro. Os vídeos divulgados pela Plataforma Basta mostram um “espetáculo” bárbaro e cruel, onde um touro indefeso, amarrado pela cabeça foi golpeado de forma atroz por elementos indiferenciados da população que, a sangue frio, mataram o animal com facadas.

Esta situação levanta diversas questões e o PAN pretende que o Ministro possa esclarecer no parlamento as informações suportadas em elementos documentais (nomeadamente fotografias e vídeos) relativos a alegadas ilegalidades nos eventos tauromáquicos referentes aos touros de morte em Portugal.

Este tipo de “espetáculos” tauromáquicos implicam um nível de crueldade e de insensibilidade abissais, que ainda são mais chocantes pelo facto de nos vídeos expostos ser visível na assistência a presença de crianças. Os vídeos mostram a brutalidade do evento, que mereceu o licenciamento da Inspeção Geral das Atividades Culturais ao abrigo do nº 4 do artigo 3º da Lei 92/95 de 12 de Setembro na redação dada pela Lei nº 19/2002 de 31 de Julho, em virtude de um regime de exceção com base na "tradição", situação que se aplica em Barrancos e Monsaraz.

Para além disso, estas festividades com touros de morte em Monsaraz incluíram eventos claramente ilegais: dois "encerros para crianças" e uma "aula prática de toureio" com alunos de escolas de toureio portuguesas. Estas situações foram denunciadas à IGAC e à Comissão Local de Proteção das Crianças e Jovens, sem que estas entidades se tenham pronunciado sobre as manifestas ilegalidades invocadas. A esta realidade acresce o facto, de alegadamente, não ter estado presente nenhum veterinário nem qualquer inspetor da IGAC que pudessem aferir do cumprimento da legislação. Para o PAN a violência destas imagens ilustra uma realidade anacrónica em que os animais utilizados nas touradas em Portugal são sujeitos a um tratamento bárbaro e indigno de um país civilizado.