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O PAN – Partido pelos Animais e pela Natureza – encara com grande perplexidade a apresentação a Álvaro Santos Pereira, na qualidade de Ministro da Economia e do Emprego, de um manifesto que alegadamente propõe a “análise da opção nuclear para Portugal” por parte de um grupo de personalidades públicas, no passado dia 1 de Fevereiro, conforme relato na comunicação social.
O PAN considera, desde logo, pouco democrático que o referido manifesto seja apenas entregue a um membro do governo, ignorando o principal órgão da nossa democracia, que é a Assembleia da República. Esta forma de actuar indicia uma atitude opaca por parte dos subscritores, que parece visar uma fuga à avaliação efectiva da energia nuclear, procurando simplesmente exercer lóbi pró-nuclear sobre a actual governação. O PAN entende ainda que o propósito dos impulsionadores deste manifesto não é promover uma discussão séria e objectiva sobre as opções energéticas para Portugal, mas vender a energia nuclear aos actuais governantes. O PAN chama a atenção para o facto de, ao contrário do que foi veiculado pela comunicação social, a actividade profissional da maior parte dos subscritores deste documento pouco ou nada ter a ver com a produção ou gestão de energia eléctrica.
O PAN reitera que os riscos associados à opção nuclear são hoje mais conhecidos do que nunca, e que a energia nuclear é hoje uma opção, do ponto de vista ético, muito difícil de sustentar, já que condena as gerações futuras a gerir o problema dos resíduos radioactivos produzidos hoje, cujo tempo de decaimento radioactivo pode chegar às dezenas de milhares de anos e para os quais não existe nenhuma forma de tratamento adequada. O PAN considera ainda que os verdadeiros custos do nuclear são muito mais elevados do que os que são publicamente divulgados. Os custos reais da energia nuclear só agora começam a ser conhecidos, devido ao facto de uma grande quantidade de reactores nucleares estar a chegar ao fim do seu tempo de vida e ter chegado agora o momento decisivo de pagar a pesada factura do desmantelamento destes reactores.
O PAN defende que todas as formas de produção de electricidade devem ser estudadas numa base científica, devendo ser analisadas de forma objectiva as vantagens e as desvantagens, não só presentes como futuras, de cada uma das formas de produção de electricidade disponíveis.
O PAN defende ainda a aposta nas energias endógenas, como o solar fotovoltaico e o eólico, que além de não envolverem riscos para as populações, têm por base uma fonte de energia virtualmente inesgotável, têm custos de produção cada vez mais baixos e um potencial de geração de emprego muito maior do que a energia nuclear.
Por último, o PAN defende que a política energética de Portugal deve ser baseada numa forte aposta na melhoria da eficiência energética dos edifícios e no fomento das energias renováveis disponíveis para a produção de electricidade. O PAN defende ainda a micro-geração de electricidade, de forma a descentralizar a produção, aproximando-a do consumidor.
As energias renováveis representam a energia para o futuro, ao contrário da energia nuclear de fissão, que é cada vez mais uma energia do passado. Evidência disso mesmo é o recentemente anunciado abandono da energia nuclear em países como a Alemanha, a Bélgica, a Itália e a Suíça.
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