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Almaraz e Lisboa

Raramente nesta ou noutras Assembleias se conseguirá atingir a unanimidade de opinião que hoje temos relativamente à central de Almaraz. Não só a Assembleia da República já manifestou a sua opinião de forma unânime como ainda ontem o Governo Português apresentou à Comissão Europeia uma queixa contra a decisão do Governo Espanhol de construir um armazém de resíduos radioactivos, sem cumprir as obrigações de análise de impacto transfronteiriço, só justificável para o prolongamento da vida da actual central que já atingiu a sua idade limite. E é esta intenção mal dissimulada que nos preocupa a todos e assim deve continuar. Almaraz já devia ter sido desactivada e não é para nós aceitável que se prolongue a vida a uma actividade obsoleta de elevados riscos que já há muito devida ter sido encerrada.

O PAN irá contactar todas as entidades Internacionais para tentar travar a progressão deste processo pelo que é necessária uma intervenção que vá para além de queixas à União Europeia. É necessário fazer uso dos expedientes diplomáticos para a impedir a construção do referido depósito e para encerrar de vez a bomba relógio que é a Central Nuclear de Almaraz.

A localização desta central expõe Portugal e, nomeadamente o rio Tejo e todas as localidades por ele banhadas e abastecidas a perigos reais, uma vez que, nos últimos anos, tem vindo a registar vários incidentes que obrigaram a paragens no seu funcionamento. Após a realização de testes de resistência por uma entidade independente, o relatório concluiu que a central nuclear de Almaraz não é segura e não deveria estar, ainda, em funcionamento. Recorde-se que uma das causas atribuídas à ocorrência do desastre nuclear na central de Fukushima, no Japão, foi a inexistência de válvulas de segurança para prevenir a explosão do hidrogénio. Desde então, a implementação desta medida adicional de segurança foi tornada obrigatória em todas as centrais nucleares da União Europeia, o que não se verifica na central de Almaraz, nem se prevê a sua colocação num futuro próximo. Acresce que o tempo de vida útil para as centrais nucleares deste género é de 25 anos, o que a torna obviamente obsoleta.

Se nos anos 80 a opção nuclear era muito duvidosa, hoje em dia em Portugal ou na Estremadura espanhola é apenas absurda considerando a profusão de tecnologias renováveis à disposição mais competitivas que o nuclear, mesmo em termos de investimento. É por isso importante que seja criada uma onda de rejeição popular e autárquica na Extremadura espanhola e nas autarquias do Vele do Tejo, começando por Lisboa, que possa fazer pressão para que este processo seja travado.

Lisboa, 17 de Janeiro de 2017

Pessoas – Animais – Natureza
(GM PAN)

Miguel Santos

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