Voto de Pesar – Helena Almeida

 •  0

By

Voto de Pesar

– Pelo falecimento da artista “Helena Almeida –

 

Maria Helena de Castro Neves de Almeida, artista plástica, mais conhecida por Helena Almeida, faleceu no passado dia 26 de Setembro, deixando-nos uma vasta obra distribuída por várias partes do mundo.
Nascida em Lisboa em 1934, a artista, filha do escultor Leopoldo de Almeida, iniciou a sua carreira no final da década de 1960 até à atualidade, deixando-nos uma obra multifacetada sobretudo na área da fotografia, mas também do vídeo, desenho e performance, o que a tornou uma figura de destaque no panorama artístico português contemporâneo.
Indissociável da artista é o seu marido, o arquiteto e escultor Artur Rosa, que a acompanhou sempre de perto e que fotografou quase todos os seus trabalhos. Helena Almeida explicou um dia, numa entrevista à curadora Isabel Carlos que “É sempre ele. Porque é importante que as fotografias aconteçam no lugar físico em que eu as pensei e projetei”. Acrescentou ainda nessa entrevista: “E como tal, tem que ser alguém próximo de mim. Mas antes faço sempre desenhos das situações que quero fotografar. Eu quero a fotografia tosca, expressiva, como registo de uma vivência, de uma acção”.
A partir de 1975, a fotografia, pintura e desenho conjugam-se numa prática artística, ganhando a sua própria linguagem e com o corpo da artista como primeiro suporte de intervenção plástica, vindo mais tarde a conjugar-se com a escultura e a performance, como forma de linguagem artística.
Para lá das fronteiras, Helena Almeida representou Portugal na Bienal de São Paulo (1979), Veneza (1982 e 2005) e Sydney (2004).
Nos últimos anos, a sua obra tem sido exibida no âmbito de exposições individuais e coletivas em museus e galerias nacionais e internacionais, como a exposição individual em Serralves em 2005 e no ano seguinte em Paris e Bruxelas, sendo que no ano passado expôs em Valência. Ainda, em 2017, apresentou também uma exposição individual “Work is never finished” no Art Institute, em Chicago.
A sua obra esteve presente em prestigiadas coleções portuguesas e internacionais como a Coleção Berardo, Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa; Fundação Serralves, Porto; Centro de Artes Visuales, Fundación Helga de Alvear, Cáceres; Fundación ARCO, Madrid; Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio; MEIAC – Museo Extremeno e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz; Museu de Arte Contemporânea de Barcelona; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid; MUDAM – Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo; Musée Charleroi, Bélgica; Drawing Art Centre, Nova Iorque; Kettle’s Yard, Cambridge; entre outros e recentemente no Tate Modern, Londres.
Obteve vários prémios, entre os quais se podem destacar o 1º Prémio de Desenho, Coimbra (1969), Prémio da 11ª Bienal de Tóquio, Prémio da Bienal de Vila Nova de Cerveira (1984), Prémio da Fundação Calouste Gulbenkian (1984), Prémio BESphoto (2004) e Prémio AICA (2004).

Somos marcados pela sua tamanha versatilidade e reconhecimento artístico, em que os limites da pintura surgem para além da tela, tal como a própria referiu: “A minha obra é o meu corpo, o meu corpo é a minha obra”.
Face ao exposto, o Grupo Municipal do PAN propõe que a Assembleia Municipal de Lisboa, na sua 37ª Reunião, na “Sessão Extraordinária” de 9 de outubro, delibere:
1. Manifestar a sua tristeza e profundo pesar pelo falecimento de Maria Helena de Castro Neves de Almeida, guardando um minuto de silêncio em sua memória e homenagem;
2. Enviar o presente voto de pesar à sua família.

 

Lisboa, 8 de Outubro de 2018

O Grupo Municipal

do Pessoas – Animais – Natureza

Miguel Santos                                                          Inês de Sousa Real

 

 © Helena Almeida.

 

Leave a Reply