A Representação Parlamentar do PAN/Açores lamenta o chumbo da iniciativa que propunha a reconversão dos veículos de tracção animal – uma medida que o partido considera essencial para modernizar prácticas ultrapassadas, que ainda persistem na Região, e garantir um patamar digno de bem?estar animal.
Para o Deputado Pedro Neves, o chumbo representa não apenas um bloqueio político ao progresso regional – pois, na última década tem-se assistido a um movimento global para proibir veículos de tração animal, sobretudo para fins turísticos, mas um verdadeiro retrocesso ético e social, que impede os Açores de avançarem para soluções mais humanas, sustentáveis e alinhadas com os valores de uma sociedade que se quer consciente e responsável, principalmente porque, aos dias de hoje, é inaceitável usar animais para puxar veículos quando existem alternativas. Todavia, o parlamento “disse não” ao progresso, mantendo o habitual conservadorismo no que respeita ao bem-estar animal.
Apesar de constar na agenda política do partido, a proposta ganhou mais força devido à crescente preocupação popular com as condições a que estes animais continuam sujeitos, vertida nos múltiplos relatos de cidadãos e visitantes que testemunharam situações de sobrecarga física, longas horas de trabalho sob temperaturas adversas, circulação em vias irregulares – factores que comprometem gravemente a saúde dos animais, que permanecem vulneráveis a acidentes, lesões e sofrimento evitável.
O parlamentar sublinha que a reconversão para veículos elétricos é uma oportunidade concreta para melhorar as condições de trabalho dos detentores, aumentar a produtividade e reduzir custos operacionais, a par de eliminar a necessidade de submeter animais a tarefas que a tecnologia já tornou obsoletas. Pedro Neves recorda também que, a par do sector turístico, o recurso à tracção animal resulta muitas vezes da falta de alternativas económicas, pelo que esta medida teria um impacte positivo na redução de desigualdades sociais.
“O chumbo desta medida constitui um retrocesso e uma oportunidade perdida de reforço do bem–estar animal, modernização da oferta turística de forma ética, melhoria das condições laborais e promoção de alternativas tecnológicas para quem hoje recorre à tracção animal por falta de meios. Não há razão para que sejam mantidas prácticas ultrapassadas quando existem alternativas seguras, eficientes e alinhadas com os valores de uma sociedade que se quer verdadeiramente progressista.”
